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sábado, 6 de maio de 2017

O essencial é invisível aos olhos. Resenha de Com Outros Olhos, de Tahti Machado.

Com Outros Olhos
Thati Machado
Amazon
Sinopse: "A vida perfeita de aparências da jovem Lana se desfaz como pó depois de um trágico acidente com seu então namorado Lucas. Destinada a ultrapassar todos os obstáculos que a vida lhe impõe, Lana ingressa na Companhia Raoul de Teatro - com a ajuda de seu irmão - sem que saibam das suas limitações. Seus companheiros de trabalho parecem não facilitar a vida da moça, principalmente Arthur, que interpreta seu par romântico na peça. Ironia do destino ou não, Lana vai descobrir que uma vida sem luz ainda pode lhe oferecer tudo que uma garota sempre sonhou. E que as aparências... Sempre enganam."
Resenha:
“Voici mon secret. C’est três simple: on ne voit bien qu’avec le coeur. L’essentiel est invisible pour les yeux.” (“Eis meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”
 (Antoine Saint-Exupéry, Le Petit Prince)
 Lana sofreu um acidente de carro cujas consequências, pelo menos para ela, foram terríveis: ela ficou cega. Sua vida mudou. Precisou se adaptar a tudo e todos, mas o sonho de ser atriz continuou e ela foi aprovada para a companhia de teatro Raoul, uma das melhores. Apenas um detalhe: as pessoas que com ela deveriam contracenar não sabiam que ela era cega.  Lana fora aprovada nos testes por seu talento e, com ajuda de seu irmão Leo, buscava se tornar cada vez mais independente, na medida do possível.

 As coisas começam a ficar estranhas quando Lana é escolhida para ser a protagonista da peça Romeu e Julieta. Arthur, um rapaz decidido, que lutara muito para conseguir o papel e Romeu (e foi escolhido), se opunha à escolha do diretor, Julie, um diretor rude e duro, mas que gostava de inovar e reconhecia um talento quando via um, tendo escolhido Lana pelo talento, sem saber que ela era cega (o que não fez, então, a menor diferença quando ele soube).
 A animosidade com que Arthur tratava Lana tinha um motivo: aos onze anos ele se declarara a ela com uma mensagem no correio do amor no dia dos namorados e sua declaração havia sido recebida com risos e ela virara a piada na escola. Agora, depois de tanto tempo, ela nem o reconhecia!
 Eles começaram a ensaiar e tudo era terrível, pois a empatia necessária para a interpretação dos amantes de Veneza não se fazia presente.
 Um dia, Arthur vai ensaiar na casa de Lana , depois de mil tentativas e discussões, os dois, “por acidente” trocam um beijo. Mesmo assim, ele deixa a casa e, na tentativa de fazê-lo voltar, Lana cai e ele não a ajuda a se levantar por pensar que ela não deseja isso. Mas há um confronto entre ele e Leo e a verdade é revelada: Ela é cega.
 A partir daí as coisas mudam. Não porque Arthur sente pena de Lana, mas porque ele entende finalmente o porquê dela nunca o olhar, não tê-lo reconhecido.
 Aos poucos eles vão se acertando em cena e na vida. E também, aos poucos, Lana vai se apaixonando, até que eles começam um relacionamento baseado em confiança e amor.
 No entanto, há outras revelações que Lana, em sua cegueira, deve encarar e Lucas, seu ex namorado, um dos responsáveis pelo acidente que causou a cegueira da garota e que a deixou de lado, volta para perturbar a existência do casal. Mas isso é para ser lido... Não conto mesmo!
 O que esse livro me trouxe foi a consciência de que os olhos são enganadores. Muitas vezes nos deixamos levar pela aparência esquecendo o conteúdo. Lana, pelo que entendi, era uma menina frívola, que se ligava em beleza física e outras futilidades até que a vida lhe estapeou de forma violenta e ela se viu dependente e, por fim, percebeu que somos frágeis, findáveis e precisamos uns dos outros. Lana aprendeu a realmente amar e dar valor a tudo o que antes considerava “abaixo de si”.  Lana aprendeu e ver “com outros olhos”, os olhos do coração.

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