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sábado, 22 de novembro de 2014

Biografia

A.G. Howard
A. G. Howard

 Anita Grace Howard mora em Amarillho, no Texas, EUA. Casada, mãe de sois adolescentes (e por tabela, também de dois labradores retrievers), sempre foi fã de Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas. Ela escreveu O Lado mais Sombrio enquanto trabalhava em uma biblioteca escolar. A autora espera que o seu intrigante e psicodélico tributo a Lewis Carroll inspire os leitores a se interessarem pelas histórias que ela aprendeu a amar na infância.

Obras:




Atrás do Espelho
 A. G. Howard
Editora Novo Conceito


Em O Lado Mais Sombrio , a releitura dark de Alice no País das Maravilhas , Alyssa Gardner foi coroada Rainha, mas acabou preferindo deixar seus afazeres reais para trás e viver no mundo dos humanos. Durante um ano ela tentou voltar a ser a Alyssa de antes, com seu namorado, Jeb, sua mãe, que voltou para casa, seus amigos, o baile de formatura e a promessa de ter um futuro em Londres.

No entanto, Morfeu, o intraterreno sedutor e manipulador que povoa os sonhos de Alyssa, não permitirá que ela despreze o seu legado. O mesmo vale para o País das Maravilhas, que parece não ter superado o abandono.

Alyssa se vê dividida entre dois mundos: Jeb e sua vida como humana... e a loucura inebriante do mundo de Morfeu. Quando o reino delirante começa a invadir sua vida real , Alyssa precisa encontrar uma forma de manter o equilíbrio entre as duas dimensões ou perder tudo aquilo que mais ama. 


  
  Aqui está um pequeno trecho que foi disponibilizado pela Novo Conceito para download. Vale a pena ir ao site da Editora e ver mais:


"Atrás do Espelho

A. G. Howard

Tradução:
Denise Tavares Gonçalves

1

Sangue e Vidro
Meu professor de arte diz que o verdadeiro artista dá
o sangue por sua obra, mas ele nunca nos disse que o
sangue pode tornar-se o seu veículo de comunicação,
pode assumir vida própria e formatar sua arte de maneiras
repugnantes e medonhas.
Jogo o cabelo por sobre o ombro, faço um furo no
meu dedo indicador com o alfi nete de segurança esterilizado
que tenho no bolso, posiciono a última pedra
de vidro em meu mosaico e aguardo.
À medida que pressiono a conta translúcida contra
o gesso branco, tremo com a sensação de estar
sendo absorvida. É como uma sanguessuga na ponta
do meu dedo onde eu toco o vidro, atraindo meu
sangue para o lado de baixo da pedra, formando
uma poça de um vermelho aveludado. Mas não
para por aí.
O sangue dança... move-se de pedra para pedra,
colorindo o fundo de cada uma delas com um fi o
carmim — formando uma imagem. O ar se retém em
meus pulmões e eu aguardo as linhas se conectarem...
imaginando qual será o resultado final desta vez. Esperando que
não seja ela mais uma vez.
Soa o último sinal do dia, e eu corro para cobrir o mosaico com
um pano, morrendo de medo de que alguém possa ver a transformação
acontecendo.
É mais um lembrete de que o conto de fadas do País das
Maravilhas é real, de que o fato de ser descendente de Alice
Liddell significa que sou diferente de todo mundo. Não importa
a distância que eu tente colocar entre nós, estou para sempre
ligada a uma estranha e horripilante espécie de criaturas mágicas
chamadas intraterrenos.
Os meus companheiros de classe recolhem suas mochilas e
livros e deixam a sala de artes, cumprimentando-se, batendo as
mãos espalmadas umas nas outras enquanto conversam sobre os
planos para o fim de semana. Eu chupo meu dedo, embora não
haja mais sangue saindo dele. Com os quadris apoiados na mesa,
olho para fora. Está nublado e a névoa forma partículas de água
nas janelas.
Um pneu do Gizmo, meu Gremlin 75, furou hoje de manhã.
Como mamãe não dirige, papai me trouxe quando saiu para o
trabalho. Eu disse a ele que conseguiria uma carona na volta
para casa.
O meu celular vibra dentro da mochila, no chão. Afasto as minhas
luvas de arrastão dobradas sobre ele, pego o telefone e abro
a mensagem do meu namorado: Menina do skate... te espero no
estacionamento. Morrendo de saudade de vc. Manda um abraço
p o Mason.
Sinto um aperto na garganta. Jeb e eu estamos juntos há quase
um ano e fomos grandes amigos por seis anos antes disso, mas
desde o mês passado só temos nos comunicado por mensagens de
texto e telefonemas rápidos. Estou ansiosa para revê-lo, mas também
estranhamente nervosa. Estou receosa de que as coisas fiquem
diferentes agora que ele está vivendo uma vida da qual eu ainda
não faço parte.


Olhando para o Sr. Mason, que conversa com alguns alunos no
corredor sobre o material de arte, digito a minha resposta: Tá. Louca
p ver vc. 5 minutos... terminando uma coisinha.
Largo o telefone na mochila e levanto o pano para dar uma olhada
no meu projeto. Meu coração dá um pulo. Nem a familiaridade
com o cheiro de tinta, com a poeira de giz e com o gesso consegue
me confortar quando vejo a cena que toma forma: uma Rainha Vermelha
em fúria assassina em meio a um desolado e em ruínas País
das Maravilhas.
Assim como nos sonhos que venho tendo ultimamente...
Recoloco o pano no lugar, não querendo reconhecer o que aquela
imagem pode significar. É mais fácil esconder-me dela.
— Alyssa. — O Sr. Mason aproxima-se da mesa. Seus tênis
Converse tie-dye se destacam, como arco-íris derretidos contra o
linóleo branco do piso. — Eu queria perguntar... você está pensando
em aceitar a bolsa da Faculdade de Middleton?
Assenti com a cabeça, apesar do meu ataque de nervos por dentro.
Se o papai me deixar ir morar em Londres com o Jeb.
— Que bom. — O sorriso largo do Sr. Mason revela a lacuna entre
os seus dentes da frente. — Alguém com o seu talento deveria
aproveitar toda e qualquer oportunidade. Agora vamos dar uma
olhada em sua última obra.
Antes que eu pudesse detê-lo, ele puxa o pano e aperta os olhos,
com as bolsas debaixo deles ampliadas por seus óculos cor-de-rosa.
Solto um suspiro, aliviada ao ver que a transformação se completou. —
Cores e movimento extasiantes, como sempre. — Ele se inclina sobre
o quadro, esfregando o cavanhaque. — Perturbador, como os outros.
Essa observação final deixa meu estômago em polvorosa.
Um ano atrás, quando usei corpos de insetos e flores secas nos
mosaicos, as minhas obras adquiriram um ar de otimismo e beleza,
apesar da morbidez dos materiais. Agora que mudei de formato,
tudo o que eu crio é obscuro e violento. Não consigo mais captar
a leveza ou a esperança. Na verdade, parei de lutar contra isso. Eu
simplesmente deixo o sangue encontrar seu caminho.

Eu queria poder parar de fazer mosaicos de uma vez por todas.
Mas é uma compulsão que não consigo sufocar... e algo me diz
que há uma razão para isso. Uma razão que me impede de destruir
todos eles — que me impede de estilhaçar as bases de gesso em
mil pedaços.
— Preciso comprar mais pedras vermelhas? — pergunta o Sr.
Mason. — Nem me lembro onde comprei estas. Dei uma olhada na
internet outro dia e não encontrei o fornecedor.
Ele não sabe que as pastilhas do mosaico eram claras quando eu
comecei a fazê-lo, que eu só tenho usado pedras claras nas últimas
semanas, e que as cenas que ele acha que estou meticulosamente
engendrando ao combinar linhas coloridas no vidro estão, na verdade,
se formando sozinhas.
— Não tem problema — eu respondo. — São do meu estoque
pessoal. — Literalmente.
O Sr. Mason me analisa por um minuto. — Tudo bem. Mas estou
ficando sem espaço na minha sala. Talvez você pudesse levar
este aqui para casa.
Tremo só de pensar nisso. Levar um deles para a minha casa
seria um convite para mais pesadelos. Sem falar em como isso afetaria
mamãe. Ela já passou boa parte da vida aprisionada por suas
fobias do País das Maravilhas.
Preciso pensar em alguma coisa antes que as aulas acabem. O
Sr. Mason não vai querer guardá-los durante todo o verão, principalmente
porque estou no último ano. Mas hoje eu tenho outras
coisas com que me preocupar.
— Será que pode acomodar só mais um? — eu pergunto. — O
Jeb vem me pegar de moto. Eu levo todos na semana que vem.
O Sr. Mason aquiesce e o carrega para a sua mesa.
Agacho-me para arrumar as coisas na mochila, limpando o suor
das mãos em meu legging listrado. A bainha que roça os meus
joelhos parece não me pertencer. A minha saia é mais comprida
do que as que costumo usar, sem a anágua por baixo para afofá-
-la. Nesses meses desde que a mamãe voltou para casa vinda

 do sanatório, tivemos muitas discussões sobre as minhas roupas
 e a minha maquiagem. Ela afirma que as minhas saias são curtas demais
e queria que eu usasse jeans e “me vestisse como as meninas
normais”. Ela acha que minha aparência é muito selvagem. Eu lhe
disse que é por isso que eu uso collants e leggings, para ficar mais
comum. Mas ela nunca dá ouvidos. É como se estivesse tentando
compensar os onze anos que esteve afastada através de uma preocupação
excessiva com tudo o que me diz respeito.
Hoje de manhã ela venceu, mas só porque eu levantei tarde e
estava com pressa. Não é fácil acordar e ir para a escola depois de
tentar não dormir a noite inteira para evitar sonhar.
Pego a mochila do chão, coloco-a no ombro e despeço-me do
Sr. Mason com um movimento de cabeça. Minhas plataformas
Mary Jane estalam sobre o deserto piso frio do corredor. Planilhas
e folhas de cadernos extraviadas encontram-se espalhadas
feito um caminho de pedras num lago. Vários armários estão
abertos, como se os estudantes não pudessem perder aquele segundo
extra que levaria para fechá-los antes de sair para o fim
de semana.
Centenas de diferentes colônias, perfumes e odores corporais
ainda persistem ali, mesclados a um resquício do cheiro de fermento
dos pãezinhos do almoço servidos na cantina da escola.
Smells like teen spirit. Balanço a cabeça, sorrindo.
Por falar em espírito, o conselho dos alunos da escola Pleasance
tem trabalhado sem parar para colar lembretes sobre o baile de
formatura em cada canto da escola. Este ano, o baile acontecerá
na sexta-feira, véspera da nossa cerimônia de formatura — daqui
a uma semana.
todos os príncipes e princesas estão cordialmente convidados
para o baile de máscaras de conto de fadas dos formandos da escola
pleasance, no dia 25 de maio. não serão admitidos sapos.
Dou um sorriso maroto para a última frase. A minha melhor
amiga, Jenara, a escreveu com marcador verde em letras grossas
no fim de cada comunicado. Ela levou toda a última aula de
terça-feira para fazer aquilo, o que acabou lhe custando três dias
de suspensão. Mas valeu totalmente a pena só para ver a cara
de Taelor Tremont. Taelor é a ex do meu namorado, a melhor
jogadora de tênis da escola e a diretora social do conselho dos
alunos. Foi ela também quem delatou o segredo da família Liddell
na quinta série. O nosso relacionamento está abalado, para
dizer o mínimo.
Passo a mão sobre um dos cartazes, que descolou de um lado
e acabou se enrolando feito uma língua saindo da parede. Ele me
lembra a minha experiência com as línguas serpenteantes do bandersnatch
no verão passado. Eu me encolho e pego entre os dedos
a mecha de vermelho-vivo em meu cabelo loiro. É uma das minhas
lembranças permanentes, assim como os nódulos atrás dos ombros,
onde se aninham asas adormecidas dentro de mim. Por mais
que eu tente me distanciar das lembranças do País das Maravilhas,
elas estão sempre presentes, recusam-se a partir.
Assim como um certo alguém se recusa a partir.
Dá um nó na minha garganta pensar em asas negras, olhos tatuados
e insondáveis e sotaque britânico. Ele já possui as minhas
noites. Não permitirei que tome os meus dias também.
Empurrando as portas, saio para o estacionamento e sou atingida
por uma lufada de vento gelado e úmido. Uma névoa fina cobre
o meu rosto. Ainda há alguns carros lá, e os alunos se reúnem
em grupos pequenos para conversar — alguns encolhidos em seus
capuzes e outros aparentemente alheios ao tempo frio e incomum
para a estação. Tivemos muita chuva este mês. Os meteorologistas
calcularam o acúmulo entre 100 e 150 milímetros, quebrando o
recorde de um século nas primaveras em Pleasance, no Texas.
Os meus ouvidos automaticamente se ligam nos insetos e plantas
sobre o encharcado campo de futebol alguns metros adiante.
Os seus sussurros sempre se confundem, misturando estalos e
zumbidos, tal como estática no rádio. Mas, se eu me esforço, consigo
distinguir as mensagens que são apenas para mim:
Olá, Alyssa.
Lindo dia para um passeio na chuva...
A brisa está perfeita para voar.
Houve um tempo em que eu odiava tanto escutar essas saudações
confusas e ruidosas que eu as apanhava e sufocava. Agora,
esse ruído é confortador. Os insetos e as flores tornaram-se meus
parceiros... encantadores lembretes de uma parte secreta de mim.
Uma parte de mim da qual nem mesmo o meu namorado desconfia.
Eu o vejo do outro lado do estacionamento. Ele está encostado
em sua turbinada Honda CT70 vintage, papeando com Corbin, o
novo capitão e principal novo paquera de Jenara. A irmã de Jeb e
Corbin fazem um par esquisito. Jenara tem cabelo rosa-choque e
se veste feito uma princesa que se tornou uma roqueira punk —
a antítese da típica namorada de um atleta do Texas. Mas a mãe
de Corbin é uma designer de interiores conhecida por seu estilo
excêntrico, então ele está acostumado com personalidades artísticas
originais. No começo do ano os dois foram companheiros nas
aulas de biologia no laboratório. Eles se curtiram, e agora não se
desgrudam.
Jeb olha na minha direção. Ele se endireita quando me vê, e a
sua linguagem corporal fala tão alto como um grito. Mesmo a esta
distância o calor de seus olhos verde-musgo me aquece a pele sob
a blusa de renda e o colete xadrez.
Ele acena, despedindo-se de Corbin, que afasta dos olhos uma
mecha avermelhada de seus cabelos loiros e acena em minha direção,
indo juntar-se a um grupo de jogadores e líderes de torcida.
Jeb tira a jaqueta enquanto caminha para mim, revelando braços
musculosos. As suas botas de combate batem forte no asfalto brilhante,
e a sua pele cor de oliva cintila na névoa. Ele está usando
uma camiseta azul-marinho com seu jeans surrado. Uma foto do
My Chemical Romance está pintada em branco com um corte vermelho
formando uma faixa diagonal sobre o rosto deles. Isso me
lembra meu trabalho com sangue, e eu estremeço.

— Está com frio? — ele pergunta, envolvendo-me com a sua jaqueta,
o couro ainda com o calor de seu corpo. Por aquele instante
fugaz quase consigo sentir o sabor de sua colônia: uma mistura de
chocolate e almíscar.
— Só estou contente porque você voltou — respondo, colocando
as mãos sobre o seu peito, saboreando sua força e solidez.
— Eu também. — Ele olha para mim, me acariciando com o olhar,
mas contendo-se. Cortou o cabelo enquanto esteve fora. O vento faz
os cachos escuros na altura dos ombros esvoaçarem. Ainda está longo
o bastante para cair e ondular, e está desgrenhado por causa do
capacete. Está maltratado e selvagem, do jeito que eu gosto.
Quero pular em seus braços para dar um abraço, ou, melhor
ainda, beijar seus lábios macios. A ânsia de recuperar o tempo
perdido vai me envolvendo até que eu me sinto um pião pronto
para girar, mas minha timidez acaba vencendo. Olho por sobre seu
ombro e vejo quatro garotas mais jovens reunidas em torno de um
PT Cruiser que observam cada movimento nosso. Eu as reconheço
da aula de artes.
Jeb percebe para onde estou olhando e levanta minha mão, beijando
cada um dos dedos, roçando o seu piercing — o que provoca
um formigamento que me percorre até a ponta dos dedos dos pés.
— Vamos sair daqui.
— Você leu o meu pensamento.
Ele ri. Fico ainda mais arrepiada quando suas covinhas aparecem.
Andamos de mãos dadas até a sua motocicleta, enquanto o estacionamento
começa a esvaziar. — Então... parece que a sua mãe
ganhou hoje de manhã. — Ele aponta para a minha saia e eu reviro
os olhos.
Com um sorriso largo, ele me ajuda com o capacete, alisa o meu
cabelo nas costas e separa a mecha vermelha dos fios loiros. Envolvendo-
a nos dedos, ele pergunta: — Estava trabalhando num
mosaico quando te mandei a mensagem?
Faço um sinal afirmativo com a cabeça e aperto a fivela do capacete
sob o queixo, não querendo que a conversa tome esse rumo.

Não sei como contar o que tem acontecido em minhas aulas de
artes enquanto ele esteve fora.
Ele me ajuda a subir na garupa, deixando um espaço para ele na
frente. — Quando vou poder ver essa nova série sua, hein?
— Quando estiver pronta — murmuro. O que eu quero realmente
dizer é quando eu estiver pronta para deixar que ele me veja
fazer um mosaico.
Ele não se recorda de nossa viagem ao País das Maravilhas, mas
percebeu as mudanças em mim, incluindo a chave que uso no pescoço,
que nunca tiro, e os nódulos em minhas omoplatas, que eu
atribuo a uma estranha peculiaridade da família Liddell.
Um eufemismo.
Há um ano venho tentando pensar na melhor maneira de
contar-lhe a verdade sem que ele pense que sou louca. Se existe
uma coisa que pode convencê-lo de que fizemos uma viagem turbulenta
pela imaginação de Lewis Carroll e depois voltamos no
tempo como se nunca tivéssemos partido, é a minha arte feita de
sangue e magia. Eu só tenho que juntar coragem suficiente para
mostrar a ele.
— Quando estiver pronta — ele diz, repetindo a minha resposta
cifrada. — Então está bem. — Ele balança a cabeça antes de colocar
o capacete. — Artistas! Dão um trabalho.
— Sem querer, mas mudando de assunto... já soube das novidades
sobre sua mais nova fã número um?
A delicada arte gótica de Jeb tem atraído muita atenção desde
que ele começou a expor. Ele vendeu vários trabalhos, sendo o
mais caro por três mil dólares. Recentemente, foi procurado por
uma colecionadora da Toscana que viu o seu trabalho na internet.
Jeb revira o bolso e me dá um número de telefone: — Este é o
número dela. Tenho que agendar uma reunião para ela escolher
um dos meus trabalhos.
Ivy Raven. Eu li o nome em silêncio. — Parece falso, não é?
— eu pergunto, enfiando as alças da minha mochila por baixo da
jaqueta dele. Quase chego a desejar que ela seja uma invenção.

Mas sei que não é. De acordo com a minha pesquisa na internet,
Ivy é uma linda e totalmente legítima herdeira de vinte e seis anos.
Uma deusa rica e sofisticada... como todas as mulheres com quem
Jeb tem lidado ultimamente. Devolvo o papel, tentando estancar a
insegurança que ameaça abrir um buraco em meu coração.
— Não importa que pareça falso — diz Jeb —, desde que o
dinheiro seja de verdade. Eu vi um apartamento bem legal em Londres.
Se conseguir vender um trabalho para ela, vou juntar com o
que já economizei e acho que dá para encarar.
Ainda temos que convencer papai a me deixar ir. Recuso-me
a expressar a minha preocupação. Jeb já está se sentindo culpado
pela tensão entre ele e papai. É claro que foi um erro o Jeb ter me
levado para fazer uma tatuagem escondida dos meus pais. Mas
ele não fez isso para provocá-los. Ele o fez contra a sua vontade,
porque eu o pressionei. Porque eu estava tentando ser rebelde e
mundana, como as pessoas com quem ele anda saindo agora.
Jeb fez uma tatuagem junto comigo, na parte interna do pulso
direito — a mão que ele usa para pintar. São as palavras em latim
Vivat Musa, que pode ser grosseiramente traduzido para “Longa
vida à musa”. A minha é um par de asas em miniatura na parte
interna do meu tornozelo esquerdo, para camuflar a minha marca
intraterrena de nascença. Pedi ao tatuador que escrevesse as palavras
Alis Volat Propriis, que em latim significam “Ela voa com
suas próprias asas”. É um lembrete de que eu controlo o meu lado
obscuro, e não o contrário.
Jeb enfia o número da herdeira no bolso de sua calça jeans, parecendo
estar a mil quilômetros de distância.
— Aposto que ela é uma perua velha que gosta de homens mais
jovens — eu digo, meio em tom de brincadeira, tentando trazê-lo
de volta ao presente.
Olhando nos meus olhos, Jeb enfia os braços em uma camisa de
flanela que ele trazia amarrada no guidão de sua moto. — Ela só
tem vinte e poucos anos. Não é exatamente uma perua velha.
— Ah, obrigada. Já é um consolo.


Seu familiar sorriso provocador me reconforta. — Se for para
você se sentir melhor, pode ir comigo à reunião.
— Negócio fechado — eu digo.
Ele pula sobre a moto na minha frente e eu não me importo mais
se alguém nos vir. Aconchego-me o mais perto possível, envolvendo
os meus braços e joelhos em volta dele, com o rosto enfiado em
sua nuca, bem abaixo da borda do capacete. Seu cabelo macio me
faz cócegas no nariz.
Senti saudade dessas cócegas.
Ele coloca os óculos e vira a cabeça para que eu possa ouvi-lo
enquanto ele liga o motor. — Vamos procurar um lugar para ficarmos
um pouco sozinhos antes de eu deixá-la em casa para você se
aprontar para o nosso encontro.
Meu sangue fervilha de ansiedade. — O que você tem em mente?
— Um passeio pela rua da memória — ele responde. E, antes que
eu consiga perguntar o que ele quer dizer, já estamos a caminho."


Editora Novo Conceito 
O Lado Mais Sombrio
"Bem vindo ao verdadeiro País das Maravilhas"

  A. G. Howard
Editora Novo Conceito.

Você gosta de Alice no País das Maravilhas? Pois é...

 Alyssa Gardner ouve os pensamentos das plantas e animais. Por enquanto ela consegue esconder as alucinações, mas já conhece o seu destino: terminará num sanatório como sua mãe. A insanidade faz parte da família desde que a sua tataravó, Alice Liddell, falava a Lewis Carroll sobre os seus estranhos sonhos, inspirando-o a escrever o clássico Alice no País das Maravilhas.
 Mas talvez ela não seja louca. E talvez as histórias de Carroll não sejam tão fantasiosas quanto possam parecer.
 Para quebrar a maldição da loucura na família, Alyssa, precisa entrar na toca do coelho e consertar alguns erros cometidos no País das Maravilhas, um lugar repleto de seres estranhos com intenções não reveladas. Alyssa leva consigo o seu amigo da vida real - o superprotetor Jeb -, mas, assim que a jornada começa, ela se vê dividida entre a sensatez deste e a magia perigosa e encantadora de Morfeu, o seu guia no País das Maravilhas.
 Ninguém é o que parece no País das Maravilhas. Nem mesmo Alyssa... 

 Este é o primeiro de, pelo que sabemos até então, três volumes cuja temática é Alice no País das Maravilhas. O segundo volume, Atrás do Espelho, já está à venda. 
 Sempre gostei de Alice. Acho uma viagem fascinante, mas, em minha visão de professora de literatura (e professores de literatura vão fundo), não vejo a obra de Carroll como nada inverossímil. Os personagens ali colocados mostram nada mais nada menos do que as falhas do ser humano, como a pressa, a extrema injustiça, a desobediência... Em O Lado Mais Sombrio percebo uma vontade louca de redenção... Talvez eu esteja enganada... Leia e reflita... Deixe-se levar.

VIII
H. M. Castor
Editora Galera


" Destinado à grandeza... Atormentado por demônios"

 Uma cavalgada na noite. Gritos, soldados. O pungente cheiro do Tâmisa. Assim Henrique VIII chega, ainda menino, à Torre de Londres. A fortaleza-castelo seria sua nova casa e cenário das mais importantes transformações em sua vida.
 É ali que o carismático adolescente se transforma numa das figuras mais tirânicas da história. Um rei capaz de inspirar tanto admiração quanto o mais profundo terror. Porém, o que teria levado o príncipe mais belo da Europa a se transformar em um déspota assassino?
H. M. Castor
 As respostas repousam dentro das paredes de pedra, em seus misteriosos corredores, onde antigos crimes e fantasmas parecem reforçar a crença mais fervorosa do menino Hal: ele é o escolhido de Deus para liderar o reino. Nada pode atravessar seu caminho. A vontade divina está selada.
 O que lhe foi negado ao ser o segundo filho está agora a seu alcance: o carinho do pai, a admiração de seus pares, o amor dos súditos... No entanto, quanto mais próximo parece de seu destino, mais o jovem é testado.
 Por que lhe é negado o filho que sempre quis? Por que o povo o atormenta em relação à sua ex-mulher, Catarina? Ele é um guerreiro habilidoso. A coroa de rei repousa em sua fronte. Ele foi ungido. Ele é Deus na Terra!


 Logo que vi este livro nas prateleiras da Saraiva esqueci tudo o que havia ido lá para comprar e o peguei. Trata-se da visão do próprio Henry VIII, sua história contada por ele mesmo... 
 Sou apaixonada por histórias que envolvem reis e rainhas e a realeza Britânica tem seu papel fundamental. Vale a pena ler.